Na tradição popular de Minas Gerais, especialmente nas regiões rurais e antigas vilas coloniais, conta-se a história de um homem enigmático, de olhos fundos e riso frio, conhecido como João Redondo.
Diz a lenda que João Redondo era um bonequeiro andarilho, desses que viajavam de cidade em cidade com um teatro de fantoches, conhecido como teatro de mamulengos. Sempre montava seu palco improvisado nas feiras, praças e igrejas, e atraía crianças e adultos com suas apresentações cheias de drama e humor.
Mas o que ninguém sabia era que os bonecos de João não eram comuns. Dizem que eram feitos com madeira de um cemitério antigo, entalhados com pregos usados em cruzes de defuntos e pintados com tinta misturada com sangue de galinha preta. Alguns sussurravam que os bonecos falavam sozinhos à noite, e que João conversava com eles como se fossem gente viva.
O Mistério
Certa noite, em uma vila isolada das montanhas de Minas, durante uma apresentação especial na quaresma, um dos bonecos — justamente o que levava o nome “João Redondo” — teria se levantado sozinho, sem as mãos do bonequeiro. Dançou e riu com uma voz sinistra, zombando da plateia. As pessoas gritaram e fugiram.
Na manhã seguinte, João Redondo, o homem, desapareceu sem deixar vestígios. Apenas os bonecos estavam ali, espalhados pelo chão, alguns com os olhos queimados, outros quebrados.
Desde então, há relatos de pessoas que, ao passarem por trilhas ou ruínas em noites de lua minguante, escutam risos finos, palmas, e vozes infantis dizendo:
— “João Redondo voltou… quer brincar?”
E mais: em casas onde crianças desaparecem misteriosamente, os moradores relatam que, antes do sumiço, uma pequena caixa de madeira com um bonequinho apareceu no quintal, com uma fita escrita:
“Presente de João Redondo.”
Proteção
Para se proteger da aparição de João Redondo:
Nunca aceite bonecos de madeira de desconhecidos.
Não assista apresentações de fantoches durante a quaresma.
E jamais brinque com marionetes antigas vindas de feiras abandonadas.
A lenda de João Redondo mistura o medo da arte esquecida, o mistério dos brinquedos ganhando vida e o pavor dos pactos sombrios. Até hoje, nas noites escuras de Minas, muitos ainda fecham bem suas portas… com medo que João Redondo bata e diga: “Vamos brincar?”